SER UM PREGADOR BÍBLICO

Ser um pregador bíblico é muito mais do que possuir habilidade para falar em público, conhecer técnicas de comunicação ou conseguir emocionar uma congregação. O verdadeiro pregador bíblico é alguém comprometido em comunicar fielmente aquilo que Deus revelou em Sua Palavra.

Paulo orientou Timóteo de maneira direta:

“Prega a palavra.”
 2 Timóteo 4:2

Essa pequena expressão apresenta uma das maiores responsabilidades de quem ocupa um púlpito: a mensagem não pertence ao pregador; ela pertence a Deus.

1. O PREGADOR BÍBLICO TEM COMPROMISSO COM A PALAVRA

Um pregador pode contar histórias, utilizar ilustrações, apresentar experiências e aplicar a mensagem à realidade das pessoas. Porém, tudo isso deve estar subordinado às Escrituras.

Paulo declarou:

“Porque nunca deixei de vos anunciar todo o conselho de Deus.”
— Atos 20:27

O objetivo não é encontrar um versículo para justificar aquilo que já queremos dizer. O caminho deve ser o contrário: primeiro descobrimos o que o texto diz; depois construímos a mensagem a partir dele.

Por isso, antes de perguntar “O que eu vou pregar?”, o pregador deveria perguntar:

“O que Deus está dizendo neste texto?”

Essa mudança de pergunta transforma a preparação de uma mensagem.

2. O PREGADOR PRECISA ENTENDER ANTES DE EXPLICAR

Neemias 8 apresenta uma bela descrição da exposição das Escrituras. O povo ouviu a leitura da Lei e os responsáveis pelo ensino:

“Leram no livro, na Lei de Deus, claramente, dando explicações, de maneira que entendessem o que se lia.”
 Neemias 8:8

Aqui encontramos princípios fundamentais da pregação bíblica:

ler o texto, explicar o texto e levar as pessoas a compreenderem o texto.

Para isso, o pregador precisa estudar.

É necessário observar o contexto, identificar quem escreveu, para quem escreveu, qual problema estava sendo tratado, qual é o argumento principal e como aquela passagem se relaciona com o restante das Escrituras.

Um dos maiores perigos da pregação é fazer a Bíblia dizer aquilo que ela nunca pretendeu dizer.

3. O PREGADOR NÃO É O CENTRO DA MENSAGEM

João Batista declarou:

“É necessário que ele cresça e que eu diminua.”
 João 3:30

Esse princípio também deve governar o púlpito.

O pregador bíblico não sobe ao púlpito para demonstrar conhecimento, impressionar pessoas ou construir sua própria reputação. Sua missão é apontar para Cristo.

Paulo resumiu sua pregação desta maneira:

“Porque não nos pregamos a nós mesmos, mas a Cristo Jesus como Senhor.”
 2 Coríntios 4:5

Quando as pessoas saem admirando somente a capacidade do pregador, alguma coisa pode estar fora do lugar. A boa pregação deve conduzir o ouvinte a enxergar a grandeza de Cristo e a autoridade de Sua Palavra.

4. CARÁTER E PÚLPITO NÃO PODEM SER SEPARADOS

Não basta preparar sermões. Deus também trabalha na formação do pregador.

Paulo aconselhou Timóteo:

“Tem cuidado de ti mesmo e da doutrina.”
 1 Timóteo 4:16

Observe a ordem: de ti mesmo e da doutrina.

Isso significa que existe uma mensagem sendo preparada no escritório e outra sendo construída na vida do pregador.

O pregador bíblico deve buscar uma vida de oração, humildade, integridade, arrependimento e obediência. Isso não significa perfeição. Significa viver debaixo da mesma Palavra que anuncia aos outros.

Antes de a mensagem passar pelo pregador, ela precisa trabalhar no pregador.

5. O PREGADOR BÍBLICO NÃO MANIPULA O TEXTO

Existe uma grande tentação de procurar apenas textos que confirmem nossas ideias.

A pregação bíblica exige submissão.

Às vezes estudamos uma passagem esperando encontrar determinada mensagem e descobrimos que o texto ensina algo diferente. Nesse momento, o pregador precisa escolher:

mudar o texto para preservar sua ideia ou mudar sua ideia para permanecer fiel ao texto.

O pregador bíblico escolhe a segunda opção.

A autoridade da pregação não está no volume da voz, na eloquência ou na popularidade daquele que prega. A autoridade está na Palavra que está sendo anunciada fielmente.

6. CRISTO DEVE OCUPAR O CENTRO

Depois de Sua ressurreição, Jesus encontrou dois discípulos no caminho de Emaús. Lucas registra:

“E, começando por Moisés, discorrendo por todos os Profetas, expunha-lhes o que a seu respeito constava em todas as Escrituras.”
 Lucas 24:27

Toda a Bíblia participa da grande história da redenção que encontra seu cumprimento em Cristo.

Isso não significa colocar Jesus artificialmente em cada detalhe de uma passagem. Significa compreender cada texto dentro da história maior das Escrituras: criação, queda, promessa, redenção e restauração, tendo Cristo como centro da obra salvadora de Deus.

A pregação cristã não deve terminar simplesmente em:

“Seja uma pessoa melhor.”

Ela precisa mostrar quem Deus é, revelar nossa necessidade, apresentar a graça de Deus em Cristo e chamar o homem a responder com fé e obediência.

7. O PREGADOR PRECISA FAZER A PONTE ENTRE O TEXTO E O OUVINTE

Uma mensagem pode ser biblicamente correta e ainda assim ser difícil de compreender.

O pregador não deve apenas explicar o que determinado texto significava naquele tempo, mas também mostrar como suas verdades alcançam nossa vida hoje.

Depois da explicação vem a aplicação.

Se o texto fala sobre perdão, como devemos perdoar?

Se fala sobre oração, como isso transforma nossa vida de oração?

Se confronta o pecado, que mudança exige?

Se apresenta uma promessa, como devemos responder?

Se revela algo sobre Deus, como isso modifica nossa maneira de viver?

Uma boa aplicação nasce do próprio texto.

8. O PREGADOR DEPENDE DO ESPÍRITO SANTO

Estudar profundamente não significa abandonar a dependência espiritual.

Paulo escreveu:

“A minha palavra e a minha pregação não consistiram em linguagem persuasiva de sabedoria, mas em demonstração do Espírito e de poder.”
 1 Coríntios 2:4

Preparação e oração não são adversárias.

O pregador deve estudar como alguém que reconhece a responsabilidade de interpretar corretamente as Escrituras e orar como alguém que sabe que somente Deus pode transformar verdadeiramente o coração humano.

Nós podemos explicar a Palavra; somente Deus pode transformar o coração.

9. SETE PERGUNTAS PARA PREPARAR UMA PREGAÇÃO BÍBLICA

Ao preparar uma mensagem, o pregador pode colocar o texto diante de si e perguntar:

  1. O que o texto realmente diz?
  2. Qual é o contexto da passagem?
  3. Qual era a intenção do autor?
  4. Qual é a verdade principal deste texto?
  5. O que essa passagem revela sobre Deus e sobre o homem?
  6. Como essa verdade se relaciona com Cristo e com o evangelho?
  7. O que Deus deseja que os ouvintes compreendam, creiam ou pratiquem?

Responder essas perguntas ajuda a impedir que o sermão se torne apenas um conjunto de pensamentos pessoais acompanhados de versículos.

Ser um pregador bíblico significa colocar-se debaixo da autoridade das Escrituras antes de pedir que outras pessoas façam o mesmo.

O pregador não é dono da mensagem. É mensageiro.

Não é chamado para modificar a Palavra para agradar sua geração, mas para comunicar a Palavra de maneira fiel e compreensível à sua geração.

Por isso, a grande preocupação de um pregador não deveria ser:

“Será que as pessoas vão gostar da minha pregação?”

Mas:

“Eu fui fiel ao que Deus disse?”

Paulo apresenta uma orientação que pode resumir toda a missão:

“Procura apresentar-te a Deus aprovado […] que maneja bem a palavra da verdade.”
 2 Timóteo 2:15

O verdadeiro pregador bíblico estuda o texto, vive debaixo do texto, explica o texto, aponta para Cristo e confia no Espírito Santo para aplicar a Palavra ao coração dos ouvintes.

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